O descobrimento do Brasil

Ontem, voltando de Porto Alegre à tarde, entrou a Voz do Brasil no rádio, o que me levou a acionar o mp3, onde tenho minhas canções gaudérias. Uma delas me lembrou da minha cidade – Lagoa Vermelha –, da minha infância e de uma história que nunca esqueci e que agora compartilho.

Em Lagoa, como em quase todas as cidades de então, tinha a chamada “zona do meretrício” que lá era conhecida como a “Rua da Guampa”.

Na Rua da Guampa, tinha o famoso Clube Brasil, onde dizem, aconteciam bailes de estouro. Os administradores do Clube eram 2 irmãos o Cláudio e o Mauro. Uma noite, os dois de “borrachera” brigaram. E contam que no final, foi tiro pra todo lado, o que acabou quase destelhando todo o Brasil, fato que foi comentado em toda a cidade.

Dias depois, um cantor gaúcho (Ademar Silva) se apresentou no Cine Guairacá (transmitido pela rádio Cacique), que ficou lotado. Lá pelas tantas, o “artista” desafiou que alguém subisse ao palco a fim de respondendo algumas perguntas e ganhar um disco dele.

Eu, que tinha ido com meus tios e, desde pequeno sempre fui muito “tímido”, me apresentei.

- Primeira pergunta: Qual é a capital mais ao sul da América?

E eu respondi: “Lagoa Vermelha” (desde então eu digo que Lagoa é a capital do sul do mundo).

- Próxima pergunta: Você é homem ou mulher?

Resposta: Nem um nem outro. Sou guri! (palmas)

- Última pergunta: Quem descobriu o Brasil?

Respondi a queima bucha: O Cláudio e o Mauro… a bala!!!

O Cine Cacique foi abaixo.  Ao Artista que não entendeu nada, restou me entregar o prêmio.


VELHO

Este texto é de Ary Franco (O Poeta descalço), a quem pedi autorização para publicar.

 Dia 24 de novembro do distante 2011, um dia antes de meu aniversário, quando alcancei meus 78 anos de idade, vencia-se a validade da minha carteira de habilitação para dirigir veículos. Lá fui eu ao DETRAN levando minha filha mais nova a tiracolo.

 - Bom dia, disse cumprimentando uma das recepcionistas.

 -Bom dia, respondeu-me ela. Em que posso servi-lo?

 -Quero saber sobre os procedimentos a tomar para renovar minha carteira de motorista.

 -O sr, está com a antiga aí?

 Sim!

 E comecei a procurá-la na minha capanga. Como demorei mais de dois segundos para achá-la, minha filha, falou-me para deixar que ela procurava. Entreguei-lhe a capanga.

 A partir daí, “fiquei de lado”. A carteira foi entregue à moça, fez umas anotações numa ficha e pediu que minha filha desse o meu CPF e a minha carteira de identidade.

 Com desprendido estoicismo atrevi-me a dizer os números de ambos de cor. Recebi de volta da moça um piedoso sorriso de soslaio e ela copiou os números depois de estar de posse dos documentos entregues pela minha filha.

 - Por causa da idade, ele está dispensado de pagar o DUDA e só precisa tirar uma foto. Qual o melhor dia para marcarmos?

 Minha filha perguntou:

 - Pode ser quinta-feira à tarde?

 - l6:30h está bom?

 - Está ótimo!

 - Então é só isso, ele vai ter que pagar na hora R$52,00 pelo exame de vista.

 EI! EU TÔ AQUI! PENSEI INDIGNADO! SILENCIOSAMENTE! MUDO!

 Minha filha guardou os documentos de volta e entregou-me a capanga. Calado, dirigi de volta pra casa e pensando: por que um simples detalhe etário me torna velho? Sou um jovem, sinto-me jovem dentro desta carcaça aparentemente velha, bolas!!! Se tivesse recursos financeiros, uma plástica ajudaria bastante!

 Quinta-feira à tarde:

 - Boa tarde! Vim fazer o exame de vista e tirar minha foto.

 - Boa tarde! O sr. está com o protocolo do agendamento?

 - Sim! Está com a minha filha, ela preferiu ficar com ele, com medo de que eu o perdesse ou esquecesse onde tinha guardado.

 - Pronto, aqui está!Disse triunfante, minha filha.

 - Obrigada, é só aguardar um pouquinho. Tem 5 pessoas na frente mas ele será logo atendido. Idosos têm preferência no atendimento.

 Enquanto isso, entregaram-me uma ficha para ser preenchida e a moça disse-me, mui carinhosamente:

 - Qualquer dúvida é só perguntar, viu?!

 Irado, sentei-me naquelas cadeirinhas de colégio e preenchi tudo em menos de dois minutos e assinei. Todos que lá estavam quando cheguei, ainda estavam às voltas com o preencher de seus questionários. Levantei-me para entregar à moça a ficha preenchida e ela, sem ver, disse-me:

 - Pode sentar-se lá que eu já vou lhe ajudar.

 - Mas eu já acabei!

 - Já?! Deixa eu ver aqui. Pareceu-me incrédula. Puxa, que rapidez… e ta tudo certinho, parabéns! Agora, o sr. vai tirar a foto, ali atrás daquele biombo.

 Ironicamente, perguntei pra minha filha: Você não quer tirar a foto, no meu lugar? Pode ser que eu não saiba…

 - Ah! Pai! Vai logo e vê se não faz gracinhas, comporte-se!

 Fui pra traz do tal biombo e quem vejo. Uma linda morena, de olhos verdes.

 Na juventude de seus 46 anos, mais ou menos…

 - Boa tarde! Sente-se, por favor, mas não mexa na “cadeirinha”, ela já está na posição exata para o seu “retratinho” ser tirado.

 - Bolas!”Cadeirinha”, “ retratinho”???!!!

 Ajeitou-me a gola da camisa, retirou-me os óculos delicadamente (naturalmente para não arranhar a pele “do múmia”) e mandou-me olhar fixamente para um determinado ponto.

 Não, não, não… o sr. está olhando pra mim. Tem que olhar pra cá. Olha onde está o meu” dedinho”…

 _Eu não estava olhando para você, estava olhando para seus olhos e admirando as belas verdes lentes de contato que está usando.

 _Não uso lentes de contato, meus olhos são verdes naturalmente…

 Desculpe perder-me na vastidão de seu verde olhar

Desperta-me a beleza sedutora de um lindo sonhar.

Se fossem azuis, castanhos ou outra cor qualquer,

Atrairiam-me de qualquer forma, por seres mulher!

 _Ah… o sr. “era” poeta?

 _Sim…” já fui poeta!” Vamos à foto – OK?

 Foto tirada, fui avisado que passaríamos à parte dactiloscópica. No meu tempo de rapaz, séculos passados, lambuzavam meus dedos numa almofada para carimbos e saía todo borrado. Em alguns lugares, forneciam uma toalha já mais suja que meus próprios dedos. Hoje, tem um aparelhinho luminoso que colhe nossas impressões digitais.

 Agora, vou colher suas impressões digitais. O sr. não vai poder calcar demais; somente encostar levemente os “dedinhos”, um por um. Deixa que eu lhe ajudo.

 Vamos começar pela “mãozinha” direita. Me dê seu “dedinho” aqui. E segurou minha mão. Toque suave e quente eu senti.

 Bom, aprendi que “dedinho” é o mínimo ou mindinho e dei-o, ou melhor, emprestei-o pra Alexandra (nestas alturas já sabia o nome dela). Então ela disse-me não. Tinha que começar pelo “gordinho” (ela se referia ao polegar!). Terminadas ambas as mãos, as impressões de três dedos não ficaram boas e foram repetidas, para meu gáudio…

 Obrigada, pelo versinho “seu Ary”. Acabamos. Agora o sr. volta pra sala e aguarda o médico lhe chamar – OK?

 OK! Você é muito simpática… e simulei beijar-lhe a mão.

 Obrigada!!

 Mal sentei-me, o médico assomou a porta do consultório e chamou:

 _Ary Mendes Franco!

 _Eu! Às suas ordens, seu criado!

 _Deu-me um amistoso tapinha nas costas e mandou-me entrar.

 _Tudo bem, com o sr.? Tem sentido tonteiras, dorme bem, sente sonolência ao dirigir por longo percurso?

 _Não sr! Sinto-me ótimo para dirigir por mais uns 20 anos. Rimos!

 _Estes óculos que o sr. está usando são os mesmos com que dirige?

 _São!

 _Vamos ficar em pé. O sr. vai encostar na porta e vem andando na minha direção com os olhos fechados, Certo?

 _Certo.

 Sem problemas fiz o percurso, ganhando nota dez.

 _Agora, ainda com os olhos fechados, abra os braços como que crucificado e coloque os dedos indicadores na ponta do seu nariz, sem abaixar os cotovelos.

 _Vapt vupt! Outra nota dez!

 _Finalmente, vamos ao exame de vista. Tampe o olho esquerdo e diga-me que letras e números está vendo. Apontou ele com uma varinha.

 _A X Z Y K 8 S 7…

 _Chega, agora tampe o olho direito e diga-me o que enxerga.

 _3 C J 7 B …

 _Muito bem! Infelizmente (fiquei gélido de pavor) não posso lhe dar mais 5 anos de habilitação, por força do sistema que só vai aceitar 3 anos, por causa da sua idade. Mas, se Deus quiser, daqui a 3 anos estaremos aqui outra vez para novo exame. Dia 6 de dezembro pode pegar sua nova carteira. Felicidades!

 _Obrigado doutor. Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

 Dirigindo de volta pra casa, com minha filha a tiracolo, pensei: daqui a três anos, estarei com 81, Deus que me ajude, como tem ajudado até aqui! Como será que eles vão me tratar? Nem quero imaginar…

_Tá calado, pai! Ta pensando o que?

 _Nada, nada…

O Ministro Ayres Britto e a liberdade de imprensa

O Ministro do STF, Ayres Britto, participou no dia 09/11/11 em Porto Alegre, do Painel de Lançamento do Guia de Ética e Autorregulamentação do Grupo RBS.

Sobre o que pensa o Ministro a respeito da liberdade de imprensa, cabe destacar as seguintes frases por ele cunhadas:

“O excesso de liberdade se corrige com mais liberdade.”

“A liberdade de acesso à informação foi consagrada pela Constituição. E não se pode limitar, por nenhum modo, esse direito que é do cidadão.”

Porém dentre tantas defesas da liberdade de imprensa e do direito a informação, pela contundência do que foi dito, transcrevo a integra de pergunta feita por Vera Spolidoro , Secretária estadual de Comunicação e Inclusão Digital do Governo Tarso genro, uma das que há muito tentam clara a imprensa através de controle, dito social:

Pergunta — Ministro Ayres Britto, é uma honra participar deste debate com o senhor, e saúdo a RBS pela iniciativa. O senhor mencionou, ainda há pouco, que o controle social sobre a imprensa é legítimo. E eu queria lhe perguntar, então, se a criação de conselhos, com esse caráter de ser um local de debates a respeito da imprensa e, provavelmente, um local em que se dialogue sobre esse tema, se não seria legítima, portanto, a criação desses conselhos. Aqui no Rio Grande do Sul, há poucos dias, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o “Conselhão”, aprovou, em seu pleno, a criação de um conselho estadual de comunicação. Isso ainda vai tramitar, vai para o governador como uma sugestão, como um conselho, mas a sociedade gaúcha está discutindo esse tema. E eu gostaria de conhecer a sua opinião. Esses conselhos de comunicação podem ser locais de debate e de intermediação da sociedade para dialogar sobre a imprensa?

Britto — É sempre difícil, para um magistrado, responder a certas perguntas que tenham potencial para se tornar um caso concreto. Acho que essa pergunta é uma delas. Então, vou dar uma opinião que é rigorosamente pessoal, e que não significa uma antecipação de voto, porque, quando se trabalha num colegiado, quando se tem espírito aberto, a mudança de ponto de vista é a coisa mais natural do mundo. Da discussão nasce a luz. E num colegiado todos influenciam todos. Pessoalmente, porém, eu entendo que o poder público não pode criar um conselho social de agregação da sociedade civil. A sociedade civil é que pode se organizar e criar os seus próprios conselhos, rigorosamente privados, fora da estrutura do poder administrativo, do poder judicial, do poder legislativo. A sociedade, sim, pode se organizar para criar, digamos, órgãos de controle da própria imprensa, mas num sentido de debate dos temas da imprensa. É a sociedade civil, sem passar pela mediação do poder público. Conselhos oficiais, criados por lei, por decreto, por resolução, supostamente agregadores de pessoas da sociedade civil, para exercer um controle sobre a imprensa, isso é um mal disfarçado de controle do próprio poder público sobre a imprensa.

Ou seja, bem que a Secretária de comunicação e, por conseguinte o o Governo Tarso Genro, poderia ter ido dormir sem essa!

O “estudante” condenado

Zero Hora de hoje (06/12/2011) trouxe uma notícia alvissareira. Um “estudante”- prefiro chamar de marginal – foi condenado a 10 anos e 6 meses de prisão por, em novembro de 2010, ter agredido uma pedagoga de uma Escola Técnica de Porto Alegre.

Na ocasião, por não ter gostado de uma nota baixa que recebeu, o desqualificado descontou na orientadora da Escola Técnica de Enfermagem agredindo-a com socos e cadeiradas, só não a matando, por ter sido impedido.

A justificativa: “Gosto muito de ti, mas vou ter que te punir”. Disse isso como se fosse a coisa mais natural do mundo. Se achando acima da lei, e travestido de “justiceiro do mundo”,se comportou como todos os que não tiveram limites, e por isso, acima do bem e do mal.

Estas atitudes de bater, desaforar e até matar professores, se repete Brasil afora, fazendo com que as Escolas, antes um oásis, agora sejam, em alguns lugares, equiparadas aos piores antros e freqüentadas por marginais, cuja última preocupação é aprender.

O sistema de ensino está todo conflagrado. Inicia pelos governantes que fazem de conta que pagam e continuam dando esmola aos professores; boa parte dos professores que fingem que ensinam; a grande maioria dos alunos que fingem que aprendem e grande parte dos pais que por falta de pulso, se esquivam do encargo que lhes compete e transferem a educação dos seus filhos para a escola.

Quanto mais o tempo avança e o mundo evolui, parece que os jovens se aprofundam numa espécie de barbárie moderna, onde o que vale é ser o mais esperto, o mais brigão, o mais valente. Isso agora também serve para as meninas, que por coisas banais, brigam no tapa.

Portanto, esta punição imposta pelo Tribunal do Júri de Porto Alegre ao agressor da professora, veio em boa hora. É tempo de a sociedade começar a fazer alguma coisa para dar um basta a este tipo de situação e recolocar as coisas nos trilhos, mesmo que a custa de punições exemplares.

O Brasil Ladeira abaixo

 Todos os dias, lemos ou assistimos noticias sobre o flagelo das drogas que assolam, principalmente nossos jovens e destroçam famílias Brasil afora. Isso ocorre sem escolher classe social, cor, ou nível de instrução.

Pois quando achamos que vai haver alguma reação deste que já é um problema de saúde pública, novos e novos casos afloram. É exemplo, a greve de alguns “estudantes” da USP, que invadiram e se instalaram na reitoria da Universidade em protesto contra a presença da polícia no campus em razão desta ter detido alguns maconheiros.

Também existem pessoas que defendem não só a manifestação pela liberação das drogas, mas inclusive a livre comercialização das consideradas “leves” como a maconha.

Hoje, tivemos uma notícia vinda do STF – guardião da Constituição, das leis e dos direitos dos cidadãos – confirmando a liberação Marcha da Maconha. A decisão foi tomada quando do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4274, no qual os Ministros entenderam que em cotejo com a defesa da liberação da droga, deve prevalecer a liberdade de expressão!!

A meu ver, esta decisão, segundo a qual, não se pode impedir manifestações públicas em defesa da legalização de drogas, abolirá o artigo 287 do Código Penal, que proíbe o ator de fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. O mesmo se dará em relação ao artigo 33 (parágrafo 2º) da Lei 11.343/2006, a chamada Lei de Tóxicos, que, até agora, criminalizava induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga, e que, no entender dos Ministros, “não serve para vetar as manifestações”.

Esta notícia complementa outra segundo a qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que de tempos para cá defende a liberação da maconha -, acha um “absurdo chamar os estudantes que invadiram a USP de “maconheiros”.

Não que eu seja contra a liberdade de expressão, muito pelo contrário. Porém, isso teria efeito prático se fossemos um país culto, com pessoas bem formadas moral e intelectualmente. No entanto isso não é o que vemos numa população onde é enorme o nº de analfabetos funcionais.

Minha preocupação é que, a partir de agora, esteja aberta a porteira para que tudo seja permitido num país que já não cumpre suas leis e onde a malandragem e as falcatruas já superam aqueles que as cumprem.

A doença do Lula

Este assunto já está tão batido e chato que perdeu a graça, tanto do lado de quem quer ver o Lula se estrepar, quanto dos seus adoradores que acham um crime inafiançável desejarem mal ao seu ídolo.

De minha parte, embora não me omita, fico com os chineses que defendem que o equilíbrio está no centro.

Não nego que quando soube que o ex-presidente tinha descoberto o tumor, imediatamente me veio à mente a sua imagem, quando do programa político para a reeleição em 2006, cínica e mentirosamente dizer “A saúde pública beira à perfeição neste país.” Ou: “O SUS tem estrutura de primeiro mundo.”

Também me socorro do colunista Elio Gaspari, que lembrou dois episódios na sua coluna do Correio do Povo de 02 de novembro de 2011, da qual cito:
“Em 1998, candidato, Lula disse “Eu não sei se o Fernando Henrique ou algum governador confiaria na saúde pública para se tratar”. Ou: Em 2010, ao inaugurar uma unidade de pronto-atendimento do SUS em Recife, disse: “ela está tão bem localizada, tão bem estruturada que dá vontade de ficar doente para ser atendido”. Horas depois, teve uma crise de hipertensão e internou-se num hospital privado.

Em várias ocasiões já pude expressar minha revolta com aquilo que reputo a mais uma bravata inconseqüente e eleitoreira, como tantas que o Lula disse até hoje. Mas confesso que o que mais me revolta, é que um homem público, ocupando o cargo mais elevado da nação, não poderia ser irresponsável sem que fosse cobrado por isso.

Esta indignação, desde então, surge a cada vez que vejo alguma reportagem, e situações que eu mesmo vi num hospital público (Hospital de Clinicas em Porto Alegre), quando em visita a um amigo doente. Eram centenas de pessoas empilhadas, sofrendo e até morrendo à espera de atendimento na emergência, dormindo em macas ou sentadas em cadeiras desconfortáveis por horas e até dias a fio.

Aqui no RS, dias atrás, uma grávida de gêmeos, precisou viajar 530 Km de Santa Vitória do Palmar até Novo Hamburgo para conseguir um atendimento que pudesse salvar a ela e seus filhos!

Isso se repete Brasil afora todos os dias, basta ver o noticiário ou ler os jornais. Ou será que estes também inventam estas notícias trágicas?

No SUS (quase de 1º mundo), uma pessoa com câncer, leva em média 30 dias para ser examinada e outros 76 para iniciar tratamento quimioterápico e 113 para radioterapia!!!

E o pior é que esta desgraça atinge os pobres, os deserdados da sorte, que sofrem em silêncio (ou não têm voz que os defenda), mas que, a custo da sua miséria e ignorância, continuam elegendo pilantras e enganadores Brasil a fora.

Voltando especificamente ao Lula, é claro que não desejo a sua morte, nem que ele sofra com a doença adquirida pelos seus hábitos. Isso eu não almejo a verme algum, quanto mais a um ser humano. No entanto, como não estou entre os que acham que ele está acima do bem e do mal, não canso de ouvi-lo dizer: “A saúde pública beira à perfeição neste país.” Sendo assim, ao sugerir que ele se trate pelo SUS, nada mais é, do que ansiar pelo melhor tratamento para o ex-presidente. Afinal, ele merece!!

Brasil, um país de ladrões

Todos os dias somos surpreendidos (se é que isso é possível) com novos escândalos e desvios de dinheiro público em todas as esferas, principalmente dos poderes executivo e legislativo.

As falcatruas, a corrupção e os golpes são cada vez mais engenhosos, o que significa que os ladrões estão se profissionalizando com o passar dos dias. Todos os dias acordamos esperando ver nos jornais qual foi o Ministro ou o assessor que renunciou abalado por um escândalo de “mão grande” no nosso dinheiro.

Só nestes 8 primeiros meses de governo Dilma, já foram 3 os Ministros (indicados pelo soberano anterior) que “renunciaram” abatidos por desvios de dinheiro ou coisas mal explicadas (Palocci, Nascimento e Rossi). O do Turismo é questão de dias, já que o vice ministro (que foi braço direito da Marta Suplicio) já esta beeeem enrolado. Aliás, se for mexer fundo, qual ministério estará imune?

Os ladrões, sem escrúpulos, sem ética, sem moral, sem princípios de dignidade algum, estão em todos os níveis, indo das menores prefeituras até os ministérios, passando pelas estatais, autarquias etc. etc., sem que nem mesmo o exército brasileiro escapasse. Até o Natal Luz de Gramado foi maculado pelos ladrões. Agora só falta aparecer um desvio na igreja católica, já que alguns “pastores” de outras, transportavam em jatinhos, sacos de dinheiro sem origem.

Os superfaturamentos em obras públicas (cujo excedente é desviado para bolsos, meias e cuecas) é um escândalo sem precedentes e irá acontecer em grande escala com as obras da Copa e Olimpíadas, como já aconteceu com o Pan.

É perfeitamente compreensível o porquê, principalmente os sindicalistas não querem o ingresso da iniciativa privada na administração de alguns setores, como agora se dá em relação aos aeroportos.

Que pai maravilhoso e rico o Brasil seria não fossem os roubos praticados por quase todos os setores e políticos que, pelo que se vê, se elegem com um único fim. Locupletarem-se às custas dos cofres públicos, que, em última análise, é o dinheiro que falta na educação na merenda das crianças e na saúde deste país de analfabetos e doentes.

Ou como diria o meu candidato a padroeiro dos hipócritas, “nunca antes neste país...”

A sociedade está doente.

Fiquei um bom tempo afastado deste espaço e volto sem que boas novas tenham se verificado, o que me desalenta.

As notícias que recebemos diariamente dando conta das falcatruas, dos desmandos e da violência que assolam o país, são desalentadoras, já que o que prevalece é a lei dos mais fortes ou mais espertos. São roubos, desfalques, falcatruas, assaltos, mortes, assassinatos que nos embotam e tornam a vida banal.

Exemplo é o recente assassinato da Juíza Patrícia Acioli no Rio de Janeiro, pelo fato de que ela enfrentava grupos de extermínio, marginais e traficantes.

Aqui no Rio Grande, em Novo Hamburgo, notícias dão conta de um jovem que, para pagar dívida com traficantes, entregou uma irmã para ser estuprada e seviciada, inclusive com a mutilação dos órgãos genitais!

Em Porto Alegre, marginais executaram rum rival, decepando-lhe a cabeça e jogando o corpo longe dali.

Nos jornais de hoje, a bárbara notícia de um pai em Gaurama, que, pelo fato de haver sido preso 3 vezes por não pagar pensão alimentícia, contratou um bandido para matar a própria filha, pagando em 20 parcelas de R$ 500,00. E o pior, a levou para uma emboscada e, diante da imperícia do contratado para efetuar os disparos, segundo este, o pai mesmo atirou 4 vezes contra o rosto e abdômen da filha (que implorava por clemência), matando-a.

Dizer o que diante de monstros dessa estirpe?

A impressão que se tem, é que estamos aos poucos, voltando à barbárie, tantas e tão diversificadas são as formas de agressões e violências que nos apresentam todos os dias. E os responsáveis? Fazem o que?

REFORMA POLÍTICA

Recentemente, a Comissão de Reforma Política do Senado aprovou um arremedo de reforma, distante da almejada pela população de bem e, que não se locupleta através da política, dos políticos e dos partidos.

Os pontos mais significativos, e que exigem mais atenção no meu ponto de vista, dizem respeito ao financiamento público de campanha e voto em listas.

O financiamento público de campanha, dizem, seria uma tentativa de coibir a corrupção e conchavos com grandes empreiteiras e outras empresas que financiam campanhas e depois cobram a conta. Ora isso é só uma maneira de “esquentar” a corrupção que vai continuar existindo com ou sem financiamento público. Ademais, eu me nego a pagar campanha de políticos, pois existem muitas demandas mais urgentes e justas do que dar dinheiro para financiar campanhas. E ademais, quem garante que isso vai acabar com o “caixa dois”, ou como diz o PT “recursos não contabilizados”.

Já o voto em listas, é outra falcatrua com a qual nenhum cidadão decente e preocupado com os rumos da política e, por conseqüência, do país, pode concordar. Primeiro, por que eu quero votar em pessoas e não em listas, o que significa votar em partidos; Segundo: votar em listas é dar um cheque em branco para que os partidos votem por nós, pois o eleitor votaria no partido e este, no lugar do eleitor, decidiria quem vai ser o eleito. E o que não farão os candidatos para entrarem nas listas? E os donos dos partidos? Não irão se perpetuar?

A propósito deste tema, cabe repetir e refletir sobre uma historinha relatada por Elio Gaspari e publicada no Correio do Povo de 03/04/11 sob o título O sábio Arraes, que conta:

Em 2003, durante uma das tentativas fracassadas para se instituir o voto de lista, o deputado Aldo Rebelo foi encarregado de tentar convencer Miguel Arraes que a mudança moralizaria as disputas eleitorais.
Deu-se o seguinte, na narrativa de Rebelo:
“Eu falei durante quase uma hora e Arraes, que era de poucas palavras, ficou cachimbando. Quando terminei, ele perguntou:
- O senhor sabe me dizer quanto vai custar um bom lugar nessa lista?

Precisa dizer mais?

Porém, um tema crucial, o voto distrital, misto ou puro, não importa, ficou de fora dos debates. Este tema é importante, porque com ele, teríamos representantes bem mais próximos de nós e por conseqüência, comprometidos com a sua base, pois caso contrário não se reelegeriam.

Também precisamos avançar na discussão do fim do voto obrigatório.

O ideal seria implantar o parlamentarismo, sepultado por Lula e pelo PT quando do plebiscito em 1993 e que parece, por vaidades, não será retomado tão logo.

Menos mal que a comissão do Senado aprovou a realização de um referendo sobre o sistema eleitoral do país. Pela proposta, os eleitores vão decidir sobre o que for aprovado pelo Congresso Nacional em relação ao temas. Se sair, eu votarei pelo não financiamento público de campanha; não para o voto em listas e sim pelo voto distrital puro ou misto. E vou brigar por isso!!

As razões do Boca Braba

Esta é uma das mais significativas letras do cancioneiro gaúcho moderno, escrita e interpretada pelo advogado e grande nativista João de Almeida Neto, a quem pedi permissão para postá-la no meu blog e que ele, gentilmente, concordou e a quem agradeço. A letra tem muito a ver com a situação que hoje vivemos no país e principalmente com que tem independência para pensar, contestar e expressar suas opiniões!

(Tem gente que não entende
Que o macho, quando é bem macho,
Nem que o mundo venha abaixo
Não dispara e não se rende
Essa é a gente que se ofende
Com o meu ar de liberdade
E por inveja, e maldade
Das suas mentes macabra
Batizam de boca braba
Quem tem personalidade)
 
Me chamam de boca braba
Não sabem me analisar
De gênio eu sou uma cachaça
Mas de alma um guaraná
Só não me péla com a unha
Quem pretende me pelar
E depois que eu fico brabo
Não adianta me adular
 
(Eu sei que é em mim que deságua
Quase que cento por cento
De todo o ressentimento
Dessa gente que tem mágoa
É porque eu não bebo água
Nas orelhas dessa gente
Que adoram mostrar os dentes
E por não terem fé no taco
Vivem grudado no saco
Dos políticos influentes)
 
Me chamam de boca braba
Mas eu nem brabo não fico
Não desfaço quem é pobre
Nem adulo quem é rico
Quando eu gosto, eu elogio
Quando eu não gosto, eu critico
E onde tem galo cantando
Eu vou lá e quebro-lhe o bico
 
(O meu jeito?
 Ah, o meu jeito, conforme tenho dito
Pra uns é muito bonito
Pra outros é meu defeito
Mas talvez seja o meu jeito
Que me troque de invernada
Cada um tem sua estrada
Seu lugar, seu parador
A abelha gosta da flor
A sarna, da cachorrada)
Me chamam de boca braba
Essa gente tá enganada
Eu tenho é boca de homem
E tenho opinião formada
Sei qual é a boca que explora
Sei qual é a boca explorada
E é melhor ser boca braba
Que não ter boca pra nada!

Quem quiser ouvir a maravilhosa interpretação, siga o link.

http://migre.me/4goa8

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Sou Gelmir Gutier Reche, nascido em 17 de setembro de 1950 na localidade denominada Chimarrão, então distrito de Lagoa Vermelha (Terra que espelha o povo gaúcho), casado com Marinês Müller Reche, pai de Nêmora e Amanda Müller Reche, presidente da União gaúcha de Estudantes Secundários - UGES - gestão 73/74, Advogado formado em direito em 2005 pela FEEVALE. Sou uma pessoa que luta sempre pelo que é correto. Amigo leal, ético, fiel aos meus princípios e a tudo o que me é caro. Creio no amor e saúdo a vida.

 

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